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XIV Festival Amazonas de Ópera

XVI Festival Amazonas de Ópera

O XVI Festival Amazonas de Ópera, consolidado no calendário internacional de espetáculos líricos, traz para Manaus obras de grandes mestres ... + mais detalhes

SINOPSE

LULU - Alban Berg

Prólogo: Um mestre do tablado de circo apresenta os diversos animais de sua companhia. A última é a própria Lulu, que é carregada até o palco e apresentada como uma cobra.

Ato I

Cena 1: Lulu, a esposa do Dr. Goll, um médico envelhecido, está posando para o Pintor fazer seu retrato. O Dr. Schön, editor de jornal que salvou Lulu da sarjeta e com quem ela está tendo um caso, também está presente. Nesse momento, chega Alwa, o filho dele, desculpa-se e os dois partem. O Pintor toma grandes liberdades com Lulu. O Dr. Goll entra inesperadamente, encontrando os dois sozinhos, imediatamente desmaia e morre de um ataque cardíaco.

Cena 2: Lulu está agora casada com o Pintor. Ela recebe um telegrama anunciando o compromisso do Dr. Schön, o que parece perturbá-la. Ela é visitada por Schigolch, um vagabundo que parece ter exercido um papel não esclarecido em seu passado. O Dr. Schön chega, tratando Schigolch como o pai de Lulu. Ele veio para pedir a Lulu para ficar fora da vida dele dali por diante. Ela não se comove com este pedido, e quando o Pintor, seu marido, chega, ela sai. Dr. Schön conta ao Pintor sobre o caso deles, e insiste que ele fale com sua mulher sobre isso. O Pintor parte, ostensivamente para tratar do assunto com Lulu, mas, em vez disso, ele corta sua própria garganta. Lulu parece estar impassível com esse suicídio e simplesmente diz ao Dr. Schön "você vai casar comigo de qualque forma."

Cena 3: Lulu, trabalhando como dançarina, está sentada em quarto de vestir com Alwa. Os dois discutem várias coisas, incluindo um Príncipe que está enamorado dela e quer desposá-la. Lulu parte para o palco, mas recusa-se a ir adiante ao constatar que o Dr. Schön e sua prometida estão na platéia. O Dr. Schön entra para tentar convencê-la a atuar. Quando os dois são deixados a sós, ela diz a Schön que está pensando em partir com o Príncipe para a África. Dr. Schön dá-se conta de que não pode viver sem ela, que o convence a escrever carta para sua prometida terminando o compromisso, com palavras ditadas por ela mesma. Lulu então, calmamente, continua com o espetáculo.

Ato II

Cena 1: Lulu está agora casada com o Dr. Schön, cheio de ciúmes por causa de tantos admiradores. Um deles, a Condessa lésbica Geschwitz, visita-a para convidá-la a um baile, mas recebe no ato a desaprovação do Dr. Schön. Quando os dois saem, a Condessa retorna e esconde-se. Os dois admiradores, o Acróbata e o Jovem Estudante entram também, e todos começam a falar com Lulu quando ela regressa. Nesse momento, Alwa chega, e os admiradores escondem-se enquanto Alwa declara seu amor por Lulu. O Dr. Schön retorna, descobre o Acróbata, e começa uma longa discussão com Lulu, durante a qual ele descobre os outros admiradores. Ato contínuo, entrega a Lulu um revolver, e ordena a ela que se mate, mas, em vez disso, ela atira em Schön. A polícia chega para prender Lulu pelo assassinato.

Intervalo: O intervalo consiste de um filme mudo (acompanhado por música de Berg). Nele, vemos a prisão de Lulu, o julgamento, a condenação e a prisão. Então vemo-la contrair deliberadamente cólera e ser transferida para o hospital. A Condessa Geschwitz visita-a e dá-lhe suas roupas, e disfarçada como a Condessa, Lulu foge.

Cena 2: A Condessa Geschwitz, Alwa e o Acróbata estão reunidos no mesmo ambiente do Segundo Ato, Cena 1. Estão esperando por Schigolch, que vai levar a Condessa ao hospital. Ela vai sacrificar sua própria liberdade tomando o lugar de Lulu, de maneira que ninguém descubra a fuga até que seja tarde demais. O Acróbata diz que vai casar com Lulu e mudar-se com ela para Paris, onde os dois trabalharão em uma peça juntos. Schigolch parte com a Condessa, e retorna com Lulu, que está tão enferma que o Acróbata abandona seu plano, e sai para avisar a polícia. Schigolch é enviado para comprar bilhetes de trem e, deixados sozinhos, Alwa e Lulu declaram seu amor um para o outro e concordam em partir juntos.

Ato III

Cena 1: Lulu e Alwa estão agora vivendo em Paris. A cena é uma festa em um cassino. Lulu é chantageada pelo Acróbata e por uma prostituta a trabalhar num cabaré no Cairo; ela ainda é procurada pelo assassinato do Dr. Schön e eles ameaçam denunciá-la se não fizer o que estão pedindo. Schigolch chega, perguntando por dinheiro. Ela é eventualmente convencida a atrair o Acróbata para um hotel e matá-lo. Depois de saírem, chegam notícias de que a empresa ferroviária, de que todos os convidados eram acionistas, tinha falido. A festa rapidamente se desfaz, e, na confusão, Lulu consegue trocar de roupas com um jovem. Ela foge com Alwa pouco antes de a polícia chegar para recapturá-la.

Cena 2: Lulu e Alwa estão agora vivendo na pobreza e como fugitivos em Londres, em companhia de Schigolch. Lulu trabalha como prostituta. Ela chega com um cliente, um professor (papel desempenhado pelo mesmo ator que faz o Dr. Goll, o primeiro marido de Lulu). A Condessa Geschwitz chega então com o retrato de Lulu, que trouxe de Paris. Alwa dependura-o na parede. Lulu sai e retorna com outro cliente, o Homem Negro (papel feito pelo mesmo ator do Pintor, segundo marido de Lulu). Ele recusa-se a pagar adiantado, e mata Alwa em uma luta. Schigolch retira o corpo enquanto Geschwitz pensa em suicídio, idéia de que, no entanto, desiste quando se dá conta de que Lulu não se emocionou com ela. Eventualmente, Lulu sai e retorna com um terceiro cliente (outra vez desempenhado pelo mesmo ator de outro marido de Lulu, nesse caso, o terceiro, Dr. Schön). Ele discute sobre o preço e está a ponto de partir quando Lulu decide que vai se deitar com ele por menos do que a tarifa costumeira. Esse cliente, que é, de fato, Jack, o Estripador, assassina Lulu, e, quando está saindo, mata igualmente a Condessa, que jura seu amor por Lulu enquanto as cortinas caem.

I PURITANI - Vincenzo Bellini

Local: Inglaterra durante a Guerra Civil Inglês

Tempo: 1640

Ato I

A fortaleza perto Plymouth , comandado por Lord Gualtiero Valton

Ao amanhecer, o puritano soldados antecipar a vitória sobre os monarquistas . Riccardo havia sido prometida a mão Elvira em casamento pelo Senhor Valton, mas, voltando ao Plymouth, ele descobre que ela está apaixonada por Arturo (um monarquista), e vai se casar com ele em seu lugar. Ele confia em Bruno ("Ah! Per Semper ... Bel sogno beato").

Em apartamentos de Elvira, Giorgio revela que foi ele quem convenceu Senhor Valton para desejar conceder Elvira. Ela está muito feliz.

Arturo chega para o casamento e celebra sua felicidade recém-descoberta ("A te, o cara"). Valton é levar uma senhora misteriosa (suspeita de ser um espião Royalist) a comparecer perante o Parlamento. Arturo descobre que ela é Enrichetta ( Henrietta Maria ), viúva do executado o Rei Carlos I . Elvira aparece cantando uma polonaise alegre ("Filho vergin vezzosa"), mas deixa cair o seu véu de noiva quando ela sai para se preparar para o casamento. Arturo usa o véu para disfarçar Enrichetta como Elvira e assim permitindo-lhe escapar. No caminho, eles encontram Riccardo e, quando ele descobre que a mulher com Arturo não é Elvira, ele se contenta em deixá-los passar. Quando a fuga é descoberto, Elvira acredita-se deserta e perde sua razão ("Oh, vieni al tempio, Fedele Arturo").

Ato II

Outra parte da fortaleza

Giorgio descreve a loucura de Elvira ("di fiori Cinta"). Riccardo traz a notícia de que Arturo agora é um fugitivo que foi condenado à morte por permitir Enrichetta escapar. Elvira aparece agora, ainda perturbado, mas anseio por Arturo ("Qui la voce ... Vien, diletto"). Giorgio e Riccardo discutem sobre se a morte de Arturo significa que Elvira vai morrer de tristeza, mas finalmente concorda que ele deve morrer, se ele é encontrado lutando pelos monarquistas na batalha iminente ("Il rival salvar tu ... dei suoni la tromba" ).

Ato III

O campo perto da fortaleza, três meses depois

Arturo ainda está na corrida, mas voltou ao ver Elvira. Ele ouve o seu canto ("A Fonte afflitto una e solo") e eles se reencontram ("Vieni fra le mie braccie"). Mas os temores de Elvira que eles serão novamente separados, e quando chega Riccardo, com Giorgio e os soldados, para anunciar a morte de Arturo sentença, ela finalmente vem a seus sentidos. Um conjunto ("Credeasi, misera") desenvolve, durante o qual a nota anormalmente elevado de um F C acima elevadas que excedem a escrita alta D flat é tradicionalmente cantado por Arturo, e até mesmo Riccardo é movido pelo sofrimento dos amantes. Os soldados exigem a execução de Arturo, mas a palavra é trazido que, embora os realistas foram derrotados, Oliver Cromwell perdoou todos os prisioneiros. Os amantes estão finalmente unidos para o bem.

A Fláuta Mágica - Wolfgang Amadeus Mozart

Há dois casais que se formam na ópera, Papageno-Papagena, simbolizando o lado comum da humanidade, e Tamino-Pamina, simbolizando o iniciado. O contexto é uma luta entre a Rainha da Noite, que ambiciona o poder, e Sarastro, o grande sacerdote que só pratica o bem. Para Sarastro trabalha, porém, o mouro Monostatos, que tenta seduzir Pamina e se alia à Rainha da Noite.

A obra começa com Tamino perdido na floresta, onde encontra Papageno, um homem alegre que aprecia os prazeres da vida e trabalha para a Rainha da Noite. Deste encontro Tamino fica sabendo que Pamina, filha da Rainha da Noite, foi sequestrada por Sarastro e, apaixonado pela sua beleza e a pedido da Rainha da Noite, decide resgatá-la.

Na sequência, ambos passam por várias provas antes de poderem se encontrar. Papageno também passa por um tipo de prova antes de encontrar Papagena, e este contraponto do homem comum que se comporta de modo diferente do príncipe diante das adversidades é o lado cômico que faz esta ópera tão popular.

Esta obra está repleta de simbolismo maçônico. É possível encontrar muitas semelhanças com a Suíte Peer Gynt nº 1 de Edvard Grieg. No livro "A filha da noite", a escritora Marion Zimmer Bradley reconta em prosa esta história, em que os apaixonados lutam contra as forças do mal e a Rainha da Noite, Mãe de Pamina, para se purificarem e alcançarem a sabedoria juntos.

Ato I

O príncipe Tamino entra num bosque para fugir da perseguição de uma serpente monstruosa. Cai de cansaço e é salvo por três damas da Rainha da Noite. As mulheres ficam maravilhadas com a sua beleza e correm a dar a novidade à sua senhora, a Rainha da Noite. Enquanto isso, Papageno, um caçador de pássaros e servo da Rainha, entra em cena. Ele mente, dizendo que matou a serpente. As damas, ao voltarem, castigaram o mentiroso colocando na boca um espécie de cadeado.

As damas mostram um retrato da filha da Rainha da Noite para Tamino que, ao vê-la, fica apaixonado. Depois da ária de Tamino onde ele demonstra toda sua paixão por Pamina, chega a própria Rainha da Noite, que, comovida pelas palavras de amor do príncipe, revela o sequestro de Pamina por Sarastro, rei e sacerdote de Ísis, prometendo ao jovem a mão da donzela se ele conseguir resgatá-la com segurança do Templo do rei. Tamino aceita o desafio. Em troca, as três damas entregam a ele uma oferta da rainha: uma flauta mágica em ouro, que é capaz de mudar o estado de espírito dos seres vivos que a escutam. Papageno, que irá acompanhar o príncipe em sua jornada, ganha um carrilhão mágico, também com poderes extraordinários.

Mais adiante, descobrimos que Pamina está numa sala guardada por Monostatos, escravo mouro do palácio de Sarastro que tenta seduzi-la. Nesse momento, chega Papageno e, ao vê-lo, o escravo sai a gritar com medo do seu aspecto. O caçador de pássaros diz à jovem que Tamino está a caminho para resgatá-la.

Enquanto isso, Taminos entra no Templo da Sabedoria e se depara com um sábio orador, que lhe revela o bom caráter de Sarastro e lhe aconselha a desconfiar dos atos obscuros da Rainha da Noite. Ao ouvir a notícia de que sua amada ainda está viva, Tamino toca sua flauta, que é prontamente respondida por Papageno, que toca sua flauta-de-pã. O príncipe procura seguir o som longíquo vindo do instrumento de Papageno, porém Monostatos acaba encontrando caçador de pássaros e Pamina antes. Para escapar do mouro e seus escravos, Papageno toca o carrilhão mágico, enfeitiçando seus perseguidores e possibilitando sua fuga ao lado de Pamina.

Aparece Sarastro e Pamina lhe diz que a sua tristeza se deve ao assédio de Monostatos, razão pela qual este será castigado por Sarastro. Tamino e Pamina se encontram pela primeira vez, mas antes que o casal possa se unir o rei pede que Tamino e seu acompanhante, Papageno, sejam preparados para serem iniciados nos mistérios da sabedoria e se juntar à fraternidade do templo.

Ato II

Num bosque de palmeiras, Tamino e Papageno reúnem-se para serem iniciados pelos sacerdotes na presença do rei. Uma das provas a que ambos são submetidos é a de ficar em silêncio. Durante a prova, ambos passam por diversas tentações, que tem por objetivo desviá-los do caminho da virtude. Enquanto Tamino tem persistência para se manter calado, Papageno é facilmente distraído pelas três damas da Rainha da Noite, que aparecem para atormentar os dois e fazê-los quebrarem seu juramento.

Pamina está num jardim. Aparece a Rainha da Noite, informando-a que o seu amado se aliou com o inimigo. A jovem percebe que é o coração de sua mãe que destila maldade e ódio. Esta dá um punhal à filha, exigindo-lhe que mate Sarastro sob pena de ser rechaçada para sempre por ela. Pamina fica horrorizada. Nesse momento, aparece Monostatos que ouviu toda a conversa e tenta fazer chantagem. Não obstante, o diálogo também tinha sido escutado pelo rei que manda prender o escravo e pede a Pamina paciência e compreensão, tranquilizando-a.

Tamino e Papageno entram no templo, calados. Aparecem os três gênios que lhes restituem a flauta e o carrilhão e pedem-lhes que sigam em silêncio. Ao tocar a flauta aparece Pamina que, ao não obter nenhum tipo de resposta tanto de Tamino quanto de Papageno, acredita ter sido rejeitada pelo amado e deixa-se dominar pela dor. Os sacerdotes conduzem os iniciados ao interior do templo onde ambos decidem seguir em frente com a sua iniciação.

No jardim, Papageno recebe a visita de uma anciã, que pede para se casar com ele. Este, com medo de ficar só, aceita. Nesse momento, a anciã transforma-se numa linda jovem: Papagena. Entretanto, o sacerdote do templo tira-lha, porque primeiro terá de merecê-la.

Pamina está à beira da loucura e a ponto de se suicidar com o punhal que a mãe lhe deu. Os três gênios intervêm e convencem-na a não o fazer e procurar o seu amado. Quando o encontra, ele está a preparar-se para as provas de água e fogo que terá de concluir. Pamina, loucamente enamorada, pede permissão para acompanhá-lo. Ambos conseguem passar com sucesso por essas provas e são admitidos no Templo da Sabedoria por toda sua fraternidade.

Papageno está desesperado, perdeu a sua amada e teme ficar sozinho. Quando está determinado a suicidar-se, aparecem os três gênios e aconselham-no a usar o carrilhão. Ao tocá-lo surge Papagena. Ambos declaram o seu amor.

A Rainha da Noite, que se juntou a Monostatos, tenta dar o golpe definitivo contra os sacerdotes, mas são vencidos no último momento e lançados à noite eterna (Quinteto: Nur stille stille) O coro entoa louvores a Ísis e Osíres, dando glória aos iniciados (Pamina e Tamino), em um final simbólico, demonstrando a fraternidade que todo ser humano deve demonstrar com os seus e a celebração da coragem, virtude, sabedoria e o amor.

TOSCA - Giacomo Puccini

Ato I

A Igreja de Sant'Andrea della Valle, em Roma

Angelotti acaba de fugir do Castelo de Sant'Angelo. Aterrorizado e ofegante, ele entra na igreja, aparentemente vazia. Sua irmã, a Marquesa Attavanti, está colaborando na sua fuga. Ela entrou na igreja alguns dias antes e, fingindo que rezava, escondeu uma chave aos pés da Madonna; é a chave da capela dos Attavanti. Ele recolhe a chave rapidamente, entra na capela, e se esconde. Na igreja há uma grande pintura coberta com um pano, e diversos apetrechos de pintor. Um sacristão entra cantarolando. Sinos badalam, é a hora do Angelus, ele se ajoelha e reza. Chega Cavaradossi, o artista revolucionário esquerdista e voltairiano (adepto de Voltaire), e descobre o quadro no qual está trabalhando: é um retrato de Maria Madalena. O pintor canta enquanto trabalha, e o que ele canta é um hino de amor à arte, à vida, e à sua amante, Floria Tosca, uma cantora de ópera (Recondita armonia). O sacristão se apercebe de que o rosto da mulher que Cavaradossi está pintando é o mesmo de uma dama que veio à igreja rezar no dia anterior. Tendo trazido um cesto com comida e vinho, pergunta ao pintor se ele vai querer comer; ele responde que não está com fome, e despede o sacristão. Angelotti sai da capela e Cavaradossi reconhece seu amigo; os dois partilham os mesmos ideais revolucionários. A conversa dos dois é interrompida pela chegada de Tosca, que entra na igreja gritando "Mario! Mario!" Cararadossi dá o cesto de comida ao amigo e pede a ele que se esconda de novo, por precaução. Tosca pergunta com quem ele estava falando. "Contigo," diz o pintor. Tosca olha para o quadro e reconhece o modêlo. "É a Attavanti. Ela esteve aqui?" "Eu a vi ontem, mas foi por acaso," responde Mario. "Ela veio rezar e, sem que ela percebesse, pintei o seu retrato." Tosca olha para o retrato cheia de ciúmes. A Attavanti tem os olhos azuis, Tosca tem os olhos negros. "Pinta os olhos dela de negro," diz Tosca. Mario e Tosca cantam um ardente dueto de amor. Cavaradossi pede a ela que vá, porque ele precisa trabalhar. Ainda desconfiada, ela diz: "Mas pinta os olhos dela de negro!" e parte. Angelotti sai do esconderijo, e Cavaradossi lhe diz que a Tosca é bondosa, mas como ela não esconde nada do seu confessor, ele preferiu não contar nada a ela por enquanto, e pergunta a Angelotti qual é o seu plano. Este responde que sua irmã escondeu roupas de mulher para ele sob o altar; assim que escurecer ele as vestirá e fugirá. Cavaradossi oferece a Angelotti esconderijo em sua própria casa. Neste instante, ouve-se um tiro de canhão, vindo do Castelo de Sant'Angelo: a fuga de Angelotti foi descoberta. Angelotti pega as roupas de mulher, ele e Cavaradossi saem da igreja rapidamente; mas Angelotti deixa cair um leque.

O sacristão entra na igreja com um bando de padres, coroinhas e membros do coro, fazendo algazarra e em grande alegria: parece que Napoleão foi derrotado. Vai haver uma grande festa esta noite, com fogos de artifício e uma cantata no Palazzo Farnese com Floria Tosca. Chega Scarpia, acompanhado de Spoletta e vários policiais. Interroga o sacristão: "Um prisioneiro de estado acaba de fugir do Castelo de Sant'Angelo. Está escondido aqui?" Neste instante, Tosca entra na igreja para avisar Cavaradossi que não poderá estar com ele esta noite devido ao espetáculo no Palazzo Farnese. Enquanto seus homens revistam a igreja, Scarpia dirige-se a Tosca. "Permita-me cumprimentá-la, madame, eu sou seu admirador," diz ele, beijando a mão da famosa diva. "Admiro suas virtudes. São raras as cantoras de ópera que vêm à igreja rezar. Pelo menos a Senhora não faz como certas damas, que entram na igreja para namorar pintores," diz ele, apontando para o retrato da Attavanti. "O que está dizendo?" indaga Tosca, atônita. "Tem provas?" "Por acaso isto é apetrecho de pintor?" diz Scarpia, mostrando a ela o leque com a insígnia da Marquesa Attavanti que encontrou no chão. Num instante, Tosca imagina a cena toda: Mario e a Attavanti se beijando, ela entra na igreja, a Attavanti foge, deixando cair o leque. Corroída de ciúmes, ela sai rapidamente da igreja, que começa a se encher de fiéis, bispos, padres, e um cardeal, para ouvirem um Te Deum que será cantado para celebrar a vitória contra Napoleão. Scarpia ordena a seus homens que a sigam.

Ato II

Palazzo Farnese

Um espaçoso salão no terceiro piso do Palazzo Farnese. Vê-se uma ampla mesa recoberta de candelabros, vinhos, e iguarias finas. No primeiro e no segundo pisos do mesmo palácio a rainha Maria Carolina dá uma festa em honra de Melàs, o general que derrotou Napoleão. Ouve-se o som de gavotas vindas do andar de baixo, Tosca ainda não chegou para a cantata. Enquanto saboreia um vinho e prova umas iguarias, Scarpia medita. Seu objetivo é duplo: político e sexual. Cavaradossi e Angelotti, ele quer executá-los; Tosca, ele a quer possuir. Entra Sciarrone; Scarpia escreve rapidamente um bilhete, e diz a ele que o entregue a Tosca assim que ela chegar. Então ele canta um monólogo musical tão impressionante como o de Iago no segundo ato do Otello de Verdi, no qual ele joga luz sobre sua personalidade, mostrando claramente que tipo de pessoa ele é. Chega Spoletta, trazendo uma má notícia e uma boa. Revistaram toda a casa de Cavaradossi e não conseguiram encontrar Angelotti. Encontraram Cavaradossi, contudo, e ele é trazido para ser interrogado por Scarpia, ao mesmo tempo em que se ouve a voz da Tosca e do coro cantando a cantata no andar de baixo. Scarpia interroga Cavaradossi: ele quer saber onde está Angelotti. O que se segue então é musicalmente interessante, quando o som da cantata que vem do andar de baixo se mistura às linhas melódicas das vozes de Scarpia, de Spoletta, e de Cavaradossi, um exemplo engenhoso e bastante peculiar de polifonia. Scarpia, furioso, fecha a janela violentamente, interrompendo o som da cantata, e pergunta onde está Angelotti. Cavaradossi insiste que não sabe. Scarpia diz que uma pronta confissão evitará maiores sofrimentos. Tosca entra e, ao ver Mario, corre para abraçá-lo; Mario pede a ela que não diga nada do que sabe. Scarpia ordena que Mario seja torturado. Os gritos lancinantes do amante vindos da outra sala vão minando pouco a pouco a resistência de Tosca, que não aguenta mais e acaba revelando o lugar onde está escondido Angelotti. Mario desmaia. Seu corpo inerte e ensanguentado é trazido para a sala e posto no divã. Tosca o abraça e beija; ele volta a si. Sciarrone entra e anuncia: Napoleão é vitorioso na batalha de Marengo; a notícia anterior (da derrota) era falsa. Cavaradossi grita: Vittoria! Vittoria! Canta a plenos pulmões um pequeno hino de alegria e louvor à vitória de Napoleão: L'alba vindice appar che fa gli empi tremar! Scarpia declara que ele é um homem morto. Mario é arrastado para fora, e Scarpia fica a sós com Tosca. Oferece-lhe um gole de vinho e diz a ela que se acalme e não fique tão assustada. "Vamos buscar juntos um jeito de salvá-lo," diz. "Você me pede uma vida. Eu só lhe peço um instante." Tenta agarrá-la, beijá-la; Tosca o repele com violência: "você me causa nojo." Scarpia ri. Ouve-se rufar de tambores, "estão preparando o patíbulo para o seu amante," diz Scarpia. Caída no chão, ela canta Vissi d'arte, vissi d'amore (Eu vivi para a arte, eu vivi para o amor). Batem à porta: é Spoletta, que traz a notícia de que Angelotti se suicidou assim que os guardas de Scarpia o encontraram. Anuncia que tudo está pronto para a execução de Mario, aguardam apenas a ordem de Scarpia. Este olha para Tosca e pergunta: "E então?" Ela responde que sim, está pronta a ceder aos desejos do infame animal, desde que liberem Mario imediatamente. Scarpia responde que não pode fazer graça abertamente, tem que haver uma execução simulada. Dá a ordem a Spoletta na frente de Tosca: execução à la Palmieri. "Sim, senhor, à la Palmieri," diz Spoletta, e se retira. A mensagem em código é esta: ao conde Palmieri também foi prometida uma execução simulada.

Sozinha com Scarpia, ela pede a ele um salvo-conduto que ela e Mario possam escapar do país. Scarpia senta-se para escrevê-lo. Enquanto ele escreve, ela se aproxima da mesa, prova um gole de vinho, umas uvas, e vislumbra uma faca afiada e pontiaguda, usada para cortar um peru. Olhando fixamente para Scarpia, que está ocupado escrevendo, ela pega a faca e a esconde atrás de si. "Está pronto," diz Scarpia; mas ao tentar se levantar da cadeira, recebe uma facada nas costas, duas, três… Tenta gritar, mas o sangue lhe invade a garganta e o afoga. Ti soffoca il sangue? Ti soffoca il sangue? Ela golpeia com vontade, parecendo possuída pelo próprio sadismo do vilão. Morre, danado! Quando percebe que já está golpeando um cadáver, ela diz: Or gli perdono, ao mesmo tempo que a orquestra toca um tema em forte em fá sustenido menor, o leitmotiv do destino de Tosca. E avanti a lui tremava tutta Roma, e diante dele toda Roma tremia. Ela acende duas velas, põe uma de cada lado do cadáver, põe um crucifixo no peito do mesmo, pega o papel que está sobre a mesa, e se retira de cena.

Ato III

Castelo de Sant'Angelo

O dia amanhece em Roma. Do terraço do Castelo de Sant'Angelo vislumbra-se à luz cinzenta e vermelho-escura da manhã o Vaticano e a Basílica de São Pedro. A hora da execução se aproxima. Um carcereiro chega à cela de Cavaradossi e pergunta se ele quer ver um padre. O revolucionário esquerdista voltairiano responde que não. Ele tem, contudo, um último desejo: quer deixar uma última mensagem para uma pessoa amada. Em troca, oferece ao carcereiro seu anel, única coisa que lhe resta. Chegou a hora de E lucevan le stelle, hora em que as palavras perdem o seu poder de expressão. Suas últimas imagens do mundo, seus momentos felizes ao lado de Tosca. Tosca chega correndo com um papel na mão, acompanhada de um sargento que abre a porta da cela. Abraçam-se, beijam-se, o dueto de amor que se segue é cheio de alegria. Ela conta como deu morte a Scarpia. O dolci mani, ó doces mãozinhas, capazes de matar. Tosca lhe explica, contudo, que ele deve passar por um último ritual antes de escapar daquele inferno: a execução simulada. Sendo, como é, uma artista de teatro, ela sabe todos os truques cênicos, inclusive como cair sem se machucar. Instrui a ele para que não se levante enquanto ela não chamar. O carcereiro chega com os guardas e dizem a ele que está na hora. "Estou pronto," diz Mario. Os preparativos parecem levar uma eternidade, o nervosismo se apossa de Tosca; este é o último ato, a última coisa a fazer antes que possam escapar desse inferno. Mario é posto contra a parede. Atiram, ele cai. Vista de longe, a cena parece perfeita. "Como é lindo o meu Mario," ela exclama. "Que artista!" Os guardas vão embora, e ela se aproxima de Mario. Ao ver que ele está morto, solta um grito. A execução prometida ao conde Palmieri não havia sido cumprida também. No Palazzo Farnese, Tosca não compreende que estava sendo enganada por Scarpia. Ouvem-se gritos dos comparsas de Scarpia perseguindo Tosca. O assassinato de Scarpia foi descoberto e correm para capturá-la. Ela corre fugindo deles e se vê encurralada no parapeito do terraço do Castelo Sant'Angela, ao que ela exclama: "Perante Deus, Scarpia!" e salta para a morte.